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O PRAGMATISMO AMERICANO E A RENOVAÇÃO DO CAPITALISMO
Giovanni Semeraro[1]

O pragmatismo é a maior glória da tradição intelectual dos Estados Unidos

(R. Rorty)

1.      As Origens

Entre final de 1871 e início de 1872, um grupo de intelectuais reúne-se periódica e informalmente em Cambridge, Massachusetts (Estados Unidos), para conversar sobre filosofia, psicologia, ciência, cultura, política, dando origem ao que passam a chamar de Metaphysical Club. Na realidade, uma denominação irônica para um círculo de estudiosos determinados a minar radicalmente a metafísica. Convergem sobre diversas questões, mas logo emerge uma convicção comum:

Mostravam-se convencidos de que as ideias não estavam ‘lá fora’ esperando para serem descobertas, mas eram instrumentos inventados para enfrentar o mundo [...] Acreditavam que, por serem reações provisórias a circunstâncias particulares e únicas, as ideias não estavam vinculadas à imutabilidade, mas à adaptabilidade.

Referência: [2]

Seus debates, no entanto, não visam apenas romper com a tradição filosófica que havia definido por milênios o pensamento da Europa. Avaliam as repercussões das novas descobertas científicas e desenham horizontes em consonância com a cultura que está plasmando a identidade dos Estados Unidos da América. Entre as teorias e os diversos autores examinados no Club, ocupam lugar de destaque os escritos de Darwin, publicados naqueles anos: A origem das espécies (1859) e A descendência do homem (1871). A ideia de evolução aqui defendida não era apenas um golpe desferido contra a superioridade da raça humana e a hierarquia das espécies. Juntamente com dogmas consagrados pela religião e o senso comum, a biologia darwiniana oferecia elementos para destituir do seu trono as substâncias fixas e transcendentes, as filosofias que desqualificavam o movimento e as teorias que reduziam a experiência sensível à condição de conhecimento inferior e imperfeito diante da especulação racional e dos domínios sobrenaturais. Ao apresentar uma visão unitária da natureza, da qual o ser humano é apenas parte, Darwin superava toda forma de dualismos e mostrava que o conhecimento é um elemento da interação entre organismo e ambiente, um instrumento que surge e se modifica constantemente na luta pela sobrevivência.

Darwin indicava na linguagem o lugar mais apropriado para o surgimento da consciência. Apontava, também, que o cérebro se desenvolve ao longo do processo evolutivo para solucionar problemas. A mente, portanto, não podia ser mais entendida como uma faculdade autônoma e espiritual superior, mas como uma função natural, como um órgão especializado do corpo para analisar o ambiente, para adaptar-se, para construir instrumentos úteis ao prolongamento da espécie. A biologia evolucionista oferecia, portanto, munição para a lógica genética e para as análises dos mecanismos do conhecimento, entendido como uma operação estimulada pelos interesses e os impulsos vitais.

Embora de caráter pouco expansivo, Charles Sanders Peirce (1839-1914) é o pensador mais perspicaz e produtivo do Metaphysical Club. As primeiras formulações do que vai ser chamado de pragmatismo podem ser observadas nos ensaios que ele escreve na década de 1870. Em The fixation of belief (A fixação da crença), de 1877, Peirce mostrava que precisava sair das “crenças” fundadas sobre bases inconsistentes como a obstinação, a autoridade e as ideias a priori. Para “fixar crenças” que acalmem as dúvidas é necessário, ao contrário, verificá-las continuamente, o que só se torna possível recorrendo ao método científico. Este, de fato, consiste em formular hipóteses, experimentá-las com provas e julgá-las pelas suas consequências. Convencido de que as crenças são sempre falíveis e mutáveis, considera necessário “inquirir” com espírito científico a realidade para superar verdades estabelecidas, formas preconcebidas de pensar, lugares comuns instituídos pela tradição e pelas autoridades. No ano seguinte, no ensaio How to make our ideas clear (Como tornar nossas ideias claras), aprofunda suas análises sobre a conduta aplicando-as à lógica. Também nesse caso, Peirce sustenta que o significado de uma palavra ou de um conceito depende de seu reflexo na prática: “O significado racional de uma palavra ou de outra expressão consiste exclusivamente no seu alcance concebível sobre a conduta de vida” [3]. Ou seja, o valor de uma ideia está relacionado a seus efeitos, à ação que produz e à crença que se fixa em nós. Assim, devemos considerar verdadeiras as ideias cujos efeitos são verificados e comprovados na prática e que nos levam a agir e organizar o futuro. Não tendo autonomia e substância próprias, as ideias não são compêndios de verdade, mas são princípios operativos; estão sempre vinculadas aos “efeitos sensíveis das coisas”.

Concentrando suas pesquisas sobre a lógica e a semiótica, Peirce elabora um método de esclarecimento de conceitos e de determinação de significados pelas consequências práticas. Desenvolve, desse modo, uma teoria dos sinais. Ao afirmar que “todo pensamento é sinal e participa essencialmente da natureza da linguagem”, Peirce cria quadros semióticos a partir de três termos: o sinal, o objeto e o intérprete[4]. Estava convencido de que a nossa compreensão não acontece abstratamente no cérebro, mas no sentir, na expressão de fatos, no valor prático que podemos obter pelo uso de sinais que construímos. Se a função do pensamento é elaborar instrumentos, criar hábitos de ação para produzir resultados, para enfrentar e resolver os problemas, Peirce alertava para não transformar palavras em essências e representações vazias. Com isso, a tradição filosófica voltada para a busca da verdade e de essências sobrenaturais, perdia seu status superior e tornava-se apenas uma atividade contingente para verificar as operações práticas da mente.

Outro componente do Metaphysical Club, que se destaca naqueles anos, é William James (1842-1910). Centrado particularmente na psicologia, cria em Harvard o primeiro laboratório de psicologia experimental. Suas pesquisas criticam e desmentem a psicologia substancialista tradicional que separava a alma do corpo, estruturas centrais e periféricas, estímulos e respostas. Ao contrário, para James, a psique humana constitui um circuito senso-motório. É uma atividade integrada e coordenada de estímulo-movimento-sensação-unidade. No seu livro mais importante, Princípios de psicologia (1890), James mostra que as emoções têm base na experiência fisiológica e que a consciência é um instrumento funcional para adaptação ao ambiente. Qualquer conexão que acontece na psique não é uma relação colocada pela mente sobre os átomos dispersos da experiência, como ocorria com a “forma transcendental” de I. Kant. Para James as relações são experimentáveis e materializáveis e acontecem na própria experiência. Os processos da vida mental não diferem dos processos da vida corporal: os dois são instrumentos integrados de adaptação e de reação ao ambiente. De modo que a mente sente a influência do ambiente e ao mesmo tempo reage sobre ele. Desta forma, “as teorias se tornam instrumentos e não respostas para solucionar enigmas”[5]. Portanto, mais do que pelo seu conhecimento abstrato, o valor da psicologia mede-se por seus efeitos, por sua eficácia, por sua engenharia de adaptação e melhoria da vida.

Compreende-se, então, por que, ao escrever Existe a consciência? (1904), James  apresente-a como uma corrente de pensamento (stream of thought) que flui, muda a cada momento. Sem dogmatismos nem doutrinas metafísicas, retrata a consciência que nós temos como um fluxo sempre em movimento, que evolui com a fluidez do indivíduo, difícil de aprisionar no conceito. A nossa consciência forma–se na experiência que, de um lado, é individual, privada, transeunte (‘percepto’, percebido), e de outro é intersubjetiva e compartilhada, de modo a formar ‘conceitos’ comuns. Assim, o nosso conhecimento (e o que se chama de “verdade”), também para James, é a capacidade de operar, uma relação satisfatória (satisfactoriness) com outras partes da nossa experiência, mensurada por sua adequação e utilidade. Quer dizer, uma ideia é tornada verdadeira pelos fatos que podemos verificar e confirmar: “É verdadeira na medida em que acreditar nela pode ser útil para nossas vidas”[6].

O pragmatismo, seja de Peirce como de James, distancia-se da concepção metafísica de filosofia e das teorias clássicas de epistemologia. Apresenta-se, acima de tudo, como “um método, e em segundo lugar, uma teoria genética do que se entende por verdade”[7]. Seu objetivo não visa descobrir “os princípios”, as primeiras coisas, como na filosofia tradicional, mas ocupa-se dos “frutos, das consequências, dos fatos”. As ideias devem ser ancoradas e verificadas na prática, vinculadas a efeitos, não a verdades prévias. A verdade, não depende da adequação a princípios estabelecidos nem de teorias representacionais, mas da verificação: “Verdadeiro é um nome para qualquer ideia que inicie o processo de verificação, útil é o nome para a sua função completada na experiência”[8].

Nas obras de Peirce e James, o pragmatismo está já delineado e apresenta-se com características que podemos resumir nos seguintes pontos:

1. combater as ideias a priori, os fundamentos preestabelecidos, as verdades fixas e imutáveis;

2. não buscar as “primeiras coisas” (as essências), mas as “últimas”, ou seja, os resultados práticos;

3. não criar qualquer teoria global nem impor princípios: o conhecimento e a verdade fazem-se na pesquisa, na experiência, no ato de cognição, em operações que se podem justificar e convalidar. Neste sentido, o pragmatismo libera da neurose da “certeza”, dos projetos e dos fins;

4. ao repelir as abstrações, o dualismo, o formalismo e as questões inúteis, indicar como caminho o método de pesquisa que pode ser verificado continuamente e que objetiva a prática, a utilidade, a ação;

5. orientar o conhecimento para resolver problemas, buscar melhorias para a vida humana, procurar pragmaticamente o equilíbrio e o consenso entre as partes sem recorrer a teorias especulativas, doutrinas e ideologias.

Podemos ouvir, então, das próprias palavras de James a descrição dessa nova concepção de mundo:

O pragmatismo volta as costas de uma vez por todas a uma série de hábitos inveterados, caros aos filósofos profissionais. Afasta-se da abstração e da insuficiência, das soluções verbais, das más razões a priori, dos princípios fixos, dos sistemas fechados, com pretensão ao absoluto. Volta-se para o concreto e o adequado, para os fatos, a ação e a força, o que significa fazer prevalecer a atitude empirista sobre a racionalista, a liberdade e a possibilidade sobre o dogma, sobre o artifício e a pretensão da verdade definitiva.

Referência: [9]

Nas páginas que continuam essa citação, James apresenta o pragmatismo não como um sistema filosófico ou uma doutrina, mas como um método de pesquisa, caracterizado pela orientação prática e ativa do conhecimento, pelo experimentalismo, pela adaptação, a flexibilidade e a mudança, voltado ao bom funcionamento de um ambiente a ser controlado e melhorado.

A partir desse retrato, percebe-se que o pragmatismo se afirma de um lado contra a metafísica, a filosofia fundada sobre as substâncias. Por outro lado, em continuidade com o empirismo inglês, contrapõe-se à filosofia idealista continental, particularmente de Descartes, Spinoza, Kant, Hegel, e diferencia-se também do materialismo. Desta forma, os pioneiros tentam estabelecer uma contraposição entre a Europa especulativa, tradicional, retórica, ideológica e autoritária, e o espírito americano prático, dotado de inovação, de liberdade, de dinâmica cientifica e de propulsão para o futuro. Contra o mundo fechado da necessidade e do universalismo, os pragmatistas apontavam para uma sociedade aberta às criações, à experiência científica, marcada pela contingência da inteligência experimental.

2.      O Contexto

Ora, quando se estuda filosofia, não se deve perder de vista que as ideias e as teorias – de acordo com as posições que o próprio pragmatismo sustenta – estão estritamente relacionadas com a realidade concreta, com o contexto histórico-político-econômico-cultural. Portanto, para além da autoapresentação dos autores, é necessário descobrir objetivos nem sempre imediatamente explicitados em suas teorias. Contrariamente às afirmações de Peirce e James, de fato sabemos que antes do surgimento do pragmatismo americano, na própria Europa, autores como Hume, Kant, Marx, Nietzsche e Freud, por exemplo, haviam praticamente enterrado a metafísica e a velha ordem, aprofundando um processo desencadeado desde o início da modernidade, aproximando a filosofia da ciência e abrindo novos horizontes para a pesquisa. A este movimento de pensamento, acrescente-se o fato de que, juntamente com seus aspectos decadentes, na velha Europa, vinham ocorrendo convulsões sociais e políticas que pressionavam para levar adiante as propostas lançadas pela Revolução francesa, um evento mais profundo que a Revolução americana. Os movimentos insurrecionais de 1830, 1848, 1870, embora reprimidos, haviam preparado o terreno não apenas para a 1ª Guerra Mundial, mas principalmente para a eclosão da Revolução de Outubro de 1917.

A novidade maior do pragmatismo, portanto, não consiste tanto no combate à metafísica e na contraposição à Europa “atrasada e burocrática”, como se costuma dizer. Suas contribuições e propostas sintonizam-se, isto sim, com o espírito de iniciativa e os empreendimentos de uma sociedade eficiente e produtiva, projetada por avanços científico-tecnológicos que a levam a não se importar com o passado nem a deter-se em questões abstratas e teorias especulativas. Para compreender melhor o pragmatismo, portanto, deve-se considerar que, entre o final do século XIX e o início de XX, os Estados Unidos despontam como um mundo promissor diante da Europa convulsionada por grandes conflitos. A expansão da indústria, da pesquisa de ponta, o ritmo vertiginoso das atividades econômicas e dos investimentos, a organização social, a difusão da democracia e de uma nova cultura exigem um pensamento ágil, experimental, prático, capaz de promover as liberdades e os interesses do individuo, de atender às mudanças, de prever resultados e consequências. Em contraposição a uma filosofia considerada abstrata, complicada e acadêmica, os Estados Unidos buscam uma filosofia aberta, concreta, formada na experimentação, orientada para o uso e controle dos eventos naturais e sociais. Contra as formas de autoritarismo religioso e ideológico, os pragmatistas consideravam a ciência e as novas descobertas o caminho a ser percorrido para a constituição de uma sociedade livre, organizada por um liberalismo renovado, capaz de neutralizar as lutas de classes e deter o avanço do comunismo, tidos como elementos desagregadores. Embora proclamassem isenção e neutralidade, a ideologia “natural” do liberalismo operava de forma subjacente à construção da ciência e à formulação das suas teorias.

Na verdade, são as novas formas de produção capitalista e a consciência de estar assumindo a hegemonia mundial que levam a sociedade americana a contrapor-se à Europa e a lançar-se na busca de ideias e teorias que possam configurar uma identidade própria e uma “nova civilização”. Neste clima, portanto, sentia-se a necessidade de desenvolver “uma adequada filosofia americana”, em sintonia com o “modelo democrático de vida” capaz de realizar “o ideal de unidade social”[10]. Assim expressa-se John Dewey (1859-1952), o terceiro pioneiro do pragmatismo, “o melhor dos americanos”, como irá defini-lo R. Rorty. Aluno de Peirce, na universidade J. Hopkins, acaba fascinado pelos escritos de James, que o afastam de Kant e de Hegel e o despertam para a nova filosofia que está se desenhando nos Estados Unidos. Uma corrente de pensamento que, em suas distinções, James chama de “pragmatismo”, Peirce de “pragamticismo” e Dewey de “instrumentalismo”. A esta linha de pensamento Dewey vai dedicar a sua vida longeva e a sua extensa e variada obra. Seus escritos podem ser agrupados, mas não estudados isoladamente, em assuntos que tratam de psicologia, de educação, de filosofia, de política e de arte.

Embora não sendo efetivamente o pioneiro, Dewey foi quem mais afirmou, ampliou e divulgou o pragmatismo no mundo. Sendo o autor norte-americano mais conhecido e pela influência marcante também no Brasil, por questões de espaço, aqui vamos tratar de algumas de suas ideias de filosofia e de política e concluir essa apresentação com uma avaliação crítica sobre o pragmatismo, de modo a provocar o debate necessário para o aprofundamento dos nossos estudos.

3.      A Filosofia de Dewey

3.1. O instrumentalismo

No livro Reconstrução filosófica, Dewey se apresenta para levar adiante o projeto moderno e iluminista de filosofia. Seus interesses não estão voltados para a busca das essências, mas para o universo dos fenômenos, para “o que acontece” e “em vista do que”. A ciência experimental, para Dewey, deve substituir a “passividade” com o “espírito de iniciativa”, o “método da aceitação” com o “método de controle” e de verificação[11]. A sua proposta é criar uma nova civilização para transformar o “industrialismo” em uma nova cultura capaz de produzir uma sociedade livre, em condição de autorregular-se e de controlar com a inteligência experimental as consequências de suas ações: “Nós precisamos lutar com o industrialismo para arrancar-lhe uma nossa civilização, uma cultura para todos; e este fato significa que a indústria deve tornar-se uma força educativa e cultural de primeira ordem para aqueles compromissados com ela”[12].

Atrasada em relação à ciência, a filosofia deve passar por um saneamento frente ao pensamento tradicional: “deve assumir as mesmas normas procedimentais da investigação cientifica”, deve tornar-se operativa e experimental para resolver os problemas sociais e políticos[13]. Como a ciência moderna, a nova filosofia não vai buscar a substância imutável dos objetos, mas as relações, o movimento e os resultados obtidos pela experimentação. Deve superar, portanto, o dualismo tradicional e saber compor observação empírica e pensamento racional para tornar-se uma atividade capaz de “explorar racionalmente as possibilidades da experiência”. Deixando de ser especulativa e transcendental, a função da filosofia é auxiliar o método experimental e acompanhar as transformações científicas. Não tendo uma finalidade própria, deve ser pensada em vista da educação: “Se a educação é processo pelo qual se formam certas disposições essenciais, intelectuais e emotivas, do homem para com a natureza e com os outros homens, a filosofia pode ser definida como a teoria geral da educação”[14]. Uma teoria, no entanto, que está profundamente conectada ao que Dewey entende por natureza humana: um conjunto de impulsos entrelaçados a uma atividade mental, cuja combinação forma hábitos especializados para adaptar-se ao ambiente, ordenar as coisas e estabelecer relações sociais.

A partir dessas premissas, Dewey elabora a lógica e a concepção de conhecimento. Veja-se, por exemplo, Lógica, teoria da investigação (1938), um dos seus livros mais importantes (considerado o “coração” do seu sistema filosófico), onde são analisadas as diferentes lógicas (formal, dedutiva, indutiva, transcendental, dialética). Neste livro, adota abertamente a base epistemológica e filosófica da ciência, sua estruturação experimental (observação, hipótese, convalidação, leis, teoria). Dewey mostra que não pode haver separação entre os fatos de observação e os conceitos que se formam na mente, entre teoria e prática, assim como entre matéria e espírito, sujeito e objeto, natureza e cultura. Critica a lógica formal e dedutiva que separa os fatos das formas rígidas da mente, mas também a lógica indutiva e meramente empiricista. Embora idealista, afirma que a lógica hegeliana é a mais próxima do método de investigação cientifica. Hegel, de fato, inaugura o método da “inferência” (investigação/descoberta/busca) da ciência moderna. No entanto, uma vez que a concepção idealista de Hegel exclui o processo de verificação, Dewey substitui-a pela concepção experimental. Contrapõe o método da pesquisa cientifica ao método da “prova” racional/lógica, fundada na demonstração pelo raciocínio para chegar à aceitação (ou recusa) de uma proposição conforme seja conectada ou não com uma verdade estabelecida. O objetivo do conhecimento, para Dewey, não é mais “julgar” mas “inventar”. Ao torna-se indagação e pesquisa, o pensamento deixa de ser faculdade ou racionalidade ontológica e passa a ser um instrumento, um processo experimental conduzido pela dúvida-busca-solução.

Juntamente com Lógica, teoria da investigação, deveriam ser analisados outros escritos que lhe estão conectados: Estudos de teoria lógica (de 1903, em que aparece a ruptura de Dewey com Hegel), Como nós pensamos (de 1910, reformulado em 1933, no qual trata de questões relativas ao surgimento e à educação do pensamento) e Ensaios de lógica experimental (de 1916, uma crítica do empirismo, do racionalismo, do idealismo e do materialismo). Da análise desses escritos é possível ver como a lógica em Dewey tem uma interpretação autenticamente evolucionista e darwiniana: é resultado de processos bio-psicológicos, é a resposta ativa dos homens às condições ambientais e um instrumento para melhor adaptação. Depois de Darwin, para Dewey, “a ciência natural é obrigada a abandonar o pressuposto da imutabilidade e a reconhecer como são realmente importantes o ‘processo’ e a evolução”[15]. Seguindo tais indicações, alguns estudiosos chegam a traçar dessa forma o itinerário intelectual de Dewey: “A ideia originária da continuidade orgânica ‘mecanicista’ que Dewey deriva da leitura dos textos de Huxley e de Spencer se transforma na ideia de continuidade orgânica e dialética de Hegel, para enfim tornar-se a ideia da continuidade biológica e evolucionista de Darwin”[16].

Dewey considera a biologia evolucionista como a realização das conquistas metodológicas da moderna ciência experimental e a aplicação do novo modo de pensar aos problemas da vida humana. Deriva disso a lógica genética e funcional da formação dos conceitos que mostra como a ‘consciência’ é produto não fonte do conhecimento e que o pensamento não descobre leis, mas origina-as na experiência. Como em Peirce e James, para Dewey, o valor de uma ideia não deriva do seu uso, da sua capacidade de ação e dos resultados obtidos. A mente, assim, não visa criar uma ontologia, mas é uma técnica de pesquisa. Expressa o caráter operativo de todos os procedimentos do conhecer considerados como meios para passar de uma situação indeterminada a uma determinada.

Tem bons motivos, portanto, Dewey ao denominar a sua filosofia de “instrumentalismo”, enquanto atividade da inteligência humana que tem valor operativo na resolução dos problemas práticos “à medida que eles surgem”, sem ter uma pretensão sobrenatural ou transcendental:

A missão primordial da filosofia, seus problemas e campo de estudo, brotam das pressões e solicitações que se manifestam na vida de comunidade, em cujo seio surge determinada forma de filosofia e, consequentemente, seus problemas específicos variam com as transformações que a vida humana constantemente atravessa, e que por vezes constituem uma crise e uma mudança na história da humanidade.

Diversamente da concepção que acreditava na capacidade autônoma de produzir ideias ou do ato de fotografar os objetos, a função do intelecto com sua indagação é reagir, estabelecer relações com o ambiente para melhor adaptar-se e controlar as consequências. A filosofia em Dewey, portanto, não revela uma estrutura racional do mundo nem uma ordem lógica que reproduz os objetos da realidade, mas serve para a reconstrução e reorganização dos momentos da experiência de modo a superar crises, eliminar obstáculos e disfunções[18].

            3.2 A experiência

Do exposto, é possível ver que, para Dewey, a filosofia não é um pensamento autônomo e “desinteressado”. Não tem um fim em si, uma vez que não pensamos por pensar, mas para agir e obter resultados. A filosofia só serve para tornar mais inteligente a nossa experiência. É um pensar em função da solução de determinados problemas. O conhecimento é um produto que deriva da experiência e ao mesmo tempo volta-se a ela para reconstruí-la e organizá-la. Essa visão explica porque Dewey dedica diversos escritos à “experiência”, um conceito que ocupa uma função central na sua obra: Experiência e natureza (1925), Arte como experiência (1934), Experiência e educação (1938).

São as contribuições da ciência biológica que levam particularmente Dewey a elaborar um conceito de experiência que ultrapassa o entendimento tradicional e que não se reduz ao horizonte estreito do empirismo. Experiência, para Dewey, não é só percepção, registro e gravação do que ocorre, mas um processo contínuo, uma atividade inteligente voltada para a integração e a mudança do meio. Com esse conceito, Dewey entende não apenas a experiência acumulada (passado, hábitos, crenças etc) e a experiência imediata (percepção), mas também a experiência reflexiva e experimental. Como o método experimental, de fato, a experiência torna-se o verdadeiro lugar da aprendizagem. É o âmbito no qual se “aprende fazendo”, onde sujeito e objeto não andam separados, mas descobrem-se partes de um todo. Assim, a experiência constitui uma operação circular que: “Denota tudo o que se sofre e se experimenta, e também os próprios processos do experimentar”[19]. É uma operação que envolve sentir e reagir, passividade e atividade, o experimentado (produto da experiência, experiência de) e o experimental (produtor de experiência, experiência sobre). O conceito de experiência, na prática, retrata o ser humano condicionado pelo meio e a sua reação sobre ele. É uma interação de organismo e meio, de adaptação e modificação, ao mesmo tempo. Contra qualquer dualismo e abstração, Dewey apresenta o processo unitário da experiência humana, no sentido orgânico e holístico. É a ação do mundo e no mundo. Em sintonia com a evolução biológica, psicológica e social, a experiência constitui um processo de metabolismo inteligente com o mundo que o homem precisa conhecer e controlar com todas as suas faculdades. Daqui, a estreita conexão em Dewey entre psicologia, lógica, educação, política e ética. O que revela que o ponto central para Dewey não está nem no sujeito (idealismo) nem no objeto (empirismo), nem na natureza nem no espírito, nem no homem nem no mundo: é uma relação entre eles, uma unidade vital que constitui de forma operativa e cooperativa individuo e meio, fatos e ideias.

Contrariamente à filosofia da certeza e do absoluto, Dewey defende que o pensamento é um processo contínuo de experimentação, de indagação e de reajuste da experiência. O processo de investigação parte de problemas, de situações obscuras e incertas e transforma-as em situação de clareza e coerência, opera a passagem de uma desordem para a ordem: “de experiências perturbadas em situação clara, coerente, ordenada e harmoniosa”[20]. A experiência, como a vida dos organismos, administra as atividades de adaptação e continuidade, é autorreguladora: “esta organização, intrínseca à vida, torna desnecessária uma síntese sobrenatural e supraempírica, ao mesmo tempo em que ministra a base e o material para o desenvolvimento da inteligência como fator organizador dentro da experiência”[21].

Para Dewey, sob a regência da inteligência experimental, tudo recompõe-se natural e positivamente. Ao reduzir, assim, o pensamento a uma técnica que se forma no ato, no momento da investigação, o seu “instrumentalismo é filosofia dos meios, não dos fins”. Voltada para o controle ‘inteligente’ das situações, a sua filosofia aparentemente neutra, identifica adaptação e tecnologia social com liberdade, controle do ambiente com construção de uma sociedade justa e igual. Dewey, de fato, fala genericamente da experiência sem nunca qualificá-la. Não considera que indivíduos e grupos contrapostos vivem diferentes experiências, criam e usam diversos instrumentos de pensamento. E que, dependendo do lugar social e das condições de vida em que estão situados, diversos sujeitos chegam a formar uma consciência e uma visão de mundo em contraposição com o meio, e que estão dispostos não apenas a se adaptar e integrar nele, mas a lutar para romper determinados sistemas e construir uma concepção política e econômica em vista de um outro projeto de sociedade.

            3.3. A política

            A partir dessa visão, podemos entender porque Dewey orienta a filosofia e a educação para o desenvolvimento de uma inteligência voltada a buscar o equilíbrio entre as classes e os interesses contrapostos. Para afastar o perigo dos radicalismos, Dewey aponta que é preciso organizar racionalmente a sociedade, difundir o espírito cooperativo e integrador, regulamentar e planejar os fenômenos humanos e sociais, “sem tomar partido para uma ou outra parte”[22].

Esta posição de Dewey torna-se particularmente clara durante a crise econômica de 1929. Para enfrentar os problemas então postos e superar os conflitos sociais, Dewey indica o ponto de vista “imparcial” do método cientifico e apela para as reformas, a educação, a democracia e a cooperação. A. Teixeira, seu discípulo no Brasil, havia entendido perfeitamente essa visão de Dewey, quando afirma que o educador americano: “Não vem acrescentar aos conflitos e às divisões entre os homens, mas revelar a possível conciliação de suas querelas desde que desejem elevar-se um pouco mais adiante dos seus interesses imediatos. Não é demais insistir no caráter conciliante e integrador do pensamento deweyano...”[23].

Diversamente das correntes filosóficas tendenciosas, como o idealismo e o materialismo, Dewey está convencido de que é possível percorrer uma terceira via, pavimentada pela ciência e conduzida por um ser biológico dotado de inteligência, capaz de encontrar soluções cooperativas sem recorrer a teorias e ideologias políticas que geram divisões e conflitos. Para Dewey, os homens possuem naturalmente a capacidade de desenvolver hábitos, disposições, sensibilidades e virtudes que constituem a inteligência social. O melhor ambiente para o individuo desenvolver tais capacidades é a democracia, a qual com a ciência e a experiência representa o meio da interação humana, sendo a escola ativa o lugar privilegiado para isso.

Como acontece em suas relações com a natureza, o individuo está em contínua osmose com o ambiente social. Assim, na democracia, cada um é motivado a colaborar com suas próprias forças ao bem-estar do interesse geral e recebe por sua vez sustentação da sociedade, porque a inteligência é um recurso que se realiza nas formas da cooperação social. A inteligência é ‘conectiva’, uma vez que o cérebro humano constitui um ecossistema biológico em dialogo constante com a tecnologia e a cultura, desenvolvido dentro de uma experiência que se apresenta com as características da continuidade e do aumento progressivo de conhecimento individual e social.

Sendo a democracia ambiente de discussão, de tolerância e liberdade, de “experiência continuamente comunicada”[24] sem finalidade prévia, torna-se o lugar propício para a ciência, para a pesquisa e a cooperação. Neste sentido, Dewey fornece uma justificativa epistemológica da democracia, cujo significado coincide com o da “lógica da indagação”. Assim, como para a filosofia, a democracia é o ambiente ideal do “autogoverno” do indivíduo e o “meio cognitivo” para resolver problemas comuns, o método da inteligência organizada para superar e harmonizar os conflitos. Na democracia, a sociedade planeja-se constantemente, compõe os diversos interesses, elimina os obstáculos que se opõem à “sociabilidade natural”[25].

Etapa evolutiva elevada, a democracia é uma necessidade que corresponde melhor ao mundo moderno e à sua racionalidade por adequar-se às exigências técnico-científicas da civilização mais avançada. Desta forma, a democracia não se apresenta como espaço político de embate de projetos alternativos e contrapostos, mas como um meio cognitivo para solucionar problemas sociais, um espaço de intercâmbio de opiniões onde as contradições dissolvem-se no espírito de colaboração. O objetivo dessa democracia é integrar o individuo na “grande comunidade”[26] preparada pela “pequena comunidade” da escola-laboratório, da escola ativa, que com sua inteligência experimental forma o hábito mental da democracia e da convivência. Esta linha de pensamento pode ser conferida nos escritos políticos de Dewey. Se observarmos apenas os da maturidade: O público e seus problemas (1927), Individualismo velho e novo (1929), Liberalismo e ação social (1935), Liberdade e cultura (1939), é possível ver como Dewey procura tomar distância do velho liberalismo (desenfreado, individualista, atomista) e do comunismo (centralizador, coletivista, estatalista). Para resolver os problemas de organização e integração social, argumenta que é preciso contrastar as “aristocracias econômicas” que se formaram no liberalismo egoísta e instaurar a cooperação e a racionalidade da vida social seguindo o método da ciência, sem cair no comunismo. Nestes escritos, é visível e inquestionável a recomendação de Dewey para passar do individualismo atomista para o holismo, ou seja, para uma concepção que acredita poder superar o egoísmo e as divisões sociais com o apelo à solidariedade harmonizadora dos indivíduos e das classes [27].

Não se deve esquecer que Dewey desenvolve essas ideias quando na Europa vigoravam os regimes totalitarismos e, nos Estados Unidos, o Presidente Franklin Delano Roosevelt implantava o New Deal, um conjunto de medidas voltadas a socorrer a falência de empresas, a sustentar organizações financeiras, industriais e comerciais em crise, a amortizar o desemprego, a melhorar a vida da população. Em resposta às pressões de sindicatos e movimentos sociais que denunciavam os monopólios, o emprego de crianças nas fabricas, os acidentes de trabalho e reivindicavam direitos de assistência e a regulamentação do trabalho das mulheres, o plano do governo procurava espantar o “pânico vermelho” e o fundamentalismo de empresários que seguiam a doutrina de J. Pierpont Morgan, conforme a qual os direitos e os interesses dos trabalhadores eram atendidos com mais inteligência pelos patrões a quem Deus confiara a produção.

Para finalizar essa palestra e provocar o debate, do conjunto da obra de Dewey é possível perceber que o seu projeto não se apresenta só para “reconstruir” a filosofia moderna, introduzindo uma “metafísica naturalista”[28], mas também para dar uma resposta à crise da civilização ocidental, para renovar e fortalecer o liberalismo, distanciando-o do velho individualismo, do Estado minimalista e protegendo-o das seduções do marxismo. Uma interpretação, essa, não exclusivamente minha, mas que leva a assinatura do próprio R. Rorty, herdeiro do pragmatismo americano contemporâneo:

Dewey e Hook lutaram, conjuntamente e com grande sucesso, contra as tentações que o marxismo apresentou para os intelectuais americanos nos anos 30 [...] Dewey e seus seguidores estavam, certamente, apostando que as políticas reformistas (interna e internacionalmente) poderiam fazer o que os marxistas pensavam que só a revolução podia fazer.

Referência: [29]

Diante do crescimento dos conflitos e das profundas contradições que começavam a afetar o “avançado” modelo americano, Dewey propõe a integração das classes para construir “democraticamente” uma sociedade funcional e pacificada. Ao tentar superar dualismos e conflitos com a conciliação e não com o confronto democrático de propostas alternativas, Dewey sonha com um mundo cooperativo impulsionado pela soberania da inteligência científica, não pela liberdade do embate político em torno de diferentes e contrapostos projetos de sociedade. Pesquisas que espero continuar a desenvolver apontam para uma profunda relação entre o holismo que Dewey tenta construir em torno do liberalismo cooperativo e os conceitos biológico-evolucionistas de “interação”, “adaptação”, adjustment, “transação” e “experiência”. Diferente de uma sociedade, cuja unidade é conscientemente construída na dinâmica aberta das contradições e pela força imprevisível do negativo, a visão holística de Dewey apresenta-se como uma harmonização de interesses divergentes, mantida à distância dos reais embates políticos e econômicos. Sendo a política entendida por Dewey como “governo da inteligência” e “da ciência”[30], em outro artigo, mostramos porque Dewey considera o mundo em modo “prático” e circunscrito, não de modo “concreto” e universal[31]. Sua proposta, como a dos pragmatistas, promove um agir operacional, eficiente e “verificacionista”, não atitudes efetivamente transformadoras que possibilitariam ir além do mundo naturalizado e organizado cientificamente. Centrado na solução dos problemas que se apresentam e nos resultados que podem ser extraídos da experimentação, o pragmatismo é uma filosofia que objetiva manter um sistema funcionando, alheio à visão histórica de conjunto, à complexidade das forças políticas, ao poder das estruturas econômicas e à investigação profunda das contradições sociais. O que nos leva cada vez mais a crer que o pragmatismo é uma filosofia autor-referenciada, em sintonia com uma sociedade produtiva e eficiente, que se moderniza e ajusta continuamente para obter “melhores resultados”, não para colocar em questão um modelo de sociedade que vem se revelando cada vez mais restrito e destrutivo.

Referências bibliográficas

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[1] Doutor em Filosofia da Educação pela UFRJ. Professor da Graduação e da Pós-Graduação na Faculdade de Educação da UFF.

[2] Menand, L. The Metaphysical Club: A story of ideas in America, p. 12.

[3] Cf. Peirce, C. S. How to make our ideas clear, in: Hartshorne C.-Weiss (orgs), Collected Papers, Cambridge (Mass.), 1931-35, p. 5.250.

[4] Cf. Peirce, C. S. Semiótica, p. 83ss.

[5] Cf. James, W. Princípios de psicologia, in: “Os Pensadores”, p. 20.

[6] Cf. James, W. O significado da verdade, in: “Os Pensadores”, p. 67.

[7] Cf. James, W. Pragmatismo, in: “Os Pensadores”, p. 25.

[8] Cf. Idem., p. 73.

[9] Cf. Idem., p. 80.

[10] Cf. Dewey, J. in: Hickman L.A. (org), The collected works of J. Dewey, 1882-1953, 31 vols, Southern Illinois Unversity Press, Carbondale, 1967-1991, LW, vol 3, p. 144; vol. 8, pp. 22-23.

[11] Cf. Dewey, J. Rifare la filosofia, pp. 56-77.

[12] Cf. Dewey, J. Individualismo vecchio e nuovo, p. 109.

[13] Cf. Dewey, J. Rifare la filosofia, p. 113.

[14] Cf. Dewey, J. Democrazia e educazione, p. 421.

[15] Cf. Dewey, J. The influence of Darwin on philosophy and other essays in contemporary thought, p. 28.

[16] Cf. Alcaro, M., John Dewey. Scienza prassi democrazia, p. 17.

[17] Cf. Dewey, J. Rifare la filosofia, p. 17.

[18] Cf. Dewey, J. Democrazia e educazione, pp. 87-88.

[19] Cf. Dewey, J. Esperienza ed Educazione, p. 62.

[20] Cf. Dewey, J. Logica, teoria dell’indagine, p. 73.

[21] Cf. Dewey, J. Rifare la filosofia, p. 108.

[22] Cf. Dewey, J. Esperienza ed educazione (Prefazio), op. cit.

[23] Cf. Teixeira, A. “Apresentação”. In: Dewey, J. Democracia e educação, Companhia Editora Nacional, São Paulo, 1959.

[24] Cf. Dewey, J. Democrazia ed educazione, p. 413.

[25] Cf. Dewey, J. Esperienza ed educazione (Prefazio), op. cit.

[26] Cf. Dewey, J. Liberalismo e azione sociale, F. Fistetti (org.), p. 122.

[27] Cf. Dewey, J. Rifare la filosofia, p. 162.

[28] Cf. Rorty, R. Conseguenze del pragmatismo, p. 142.

[29] Cf. Rorty, R. Objetivity, Relativism and truth, pp 107-108.

[30] Cf. Dewey, J. Liberalismo e azione sociale, p. 105.

[31] Semeraro, G. “A práxis de Gramsci e o pragmatismo de Dewey”. In: Revista de Educação Pública, Cuiabá, n. 33, jan.-abril 2008, pp. 119-130. Ver também: “Filosofia da práxis e (neo) pragmatismo de Rorty”. In: Id., Gramsci e os novos embates da filosofia da práxis, Ideias e letras, Aparecida/SP, 2006, pp. 63-88.

 
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