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Alguns aspectos do movimento das ideias do ISEB (1955-1964)
Rodrigo Lima Ribeiro Gomes[1]

 

Introdução: Características gerais do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB)

            O ISEB foi uma instituição do Estado Brasileiro, ligada ao Ministério da Educação e Cultura (MEC) e diretamente subordinado ao seu ministro. Sua função era a de “um curso permanente de altos estudos políticos e sociais, de nível pós-universitário” (BRASIL, 1955), que teria como atividades a realização de estudos e pesquisas, a promoção de seminários e conferências e a produção de publicações de divulgação. No Artigo 2º do decreto presidencial de João Café Filho, que o criou, podem ser lidos os objetivos declarados do Instituto:

O ISEB tem por finalidade o estudo, o ensino e a divulgação das ciências sociais, notadamente da sociologia, da história, da economia e da política, especialmente para o fim de aplicar as categorias e os dados dessas ciências à análise e à compreensão critica da realidade brasileira, visando à elaboração de instrumentos teóricos que permitam o incentivo e a promoção do desenvolvimento nacional (Ibidem).

            A decisão de Café Filho de criar o ISEB não surgiu como um raio em céu azul. Foi o resultado do convencimento que um grupo de intelectuais residentes no Rio de Janeiro exerceu sobre o Ministro da Educação Cândido Mota Filho, por volta de 1953. Eles ficaram conhecidos como o “Grupo de Itatiaia”, porque era no Parque Nacional deste município que eles se reuniam, em local cedido pelo Ministro da Agricultura, João Cleofas. Tratava-se de um grupo bastante heterogêneo de intelectuais, de espectro político e ideológico muito variado, mas unido em torno de um objetivo: debater problemas de contemporâneos à luz de questões políticas, sociológicas, filosóficas e culturais, para melhor compreender a situação nacional e elaborar um pensamento brasileiro “genuíno”. Esse grupo de intelectuais formou, para cumprir tal objetivo, o Instituto Brasileiro de Economia, Sociologia e Política (IBESP). Entretanto, este padecia de escassez de recursos para desenvolver suas atividades, sendo logo extinto em 1955 (BARIANI, 2005: 249; JAGUARIBE, 2005: 32-33; TOLEDO, 1977: 184).

            O ISEB surge enquanto uma iniciativa dos intelectuais do IBESP de realizar uma experiência mais “institucionalizada”, no sentido de possuir estrutura, recursos e estabilidade para ser mais eficiente na tarefa de ser um impulsionador do processo de desenvolvimento capitalista industrial do Brasil (JAGUARIBE, 1988: 11; ABREU, 2007: 415).[2] Em um relatório “sucinto”, no qual procurava fazer um balanço das atividades do Instituto, entre os anos 1956 e 1960, o ISEB assim se referia a sua própria origem e objetivo: “Criado a título de ensaio, como órgão de vanguarda para os estudos dos problemas nacionais e para a formulação da ideologia do desenvolvimento” (ISEB apud OLIVEIRA, 2007: 4). Ou seja, aos seus próprios olhos, o Instituto via-se como uma instituição que comporia a linha de frente de um esforço de compreensão da realidade brasileira, tendo por objetivo influenciar o processo do desenvolvimento nacional através da elaboração de uma ideologia.

            Segundo Alzira Alves de Abreu, os intelectuais isebianos tinham uma formação “tradicional” ou “humanístico-jurídica”, diferentemente do novo tipo de quadros intelectuais que vinham sendo formados no Brasil, nos anos de 1940 e 1950. Neste período, foram criadas instituições voltadas para a constituição de intelectuais de perfil técnico, sobretudo nas áreas de Economia e Administração, orientados para a assistência a governos e composição de quadros do aparelho de Estado, com o intuito de planejar o processo de desenvolvimento industrial. Por sua vez, o intelectual do ISEB poderia ser considerado um tipo de intelectual de transição, isto é, correspondente à passagem de uma sociedade agrária, em que a formação intelectual era valorizada enquanto instrumento de manutenção dos valores e padrões culturais nacionais, para uma sociedade moderna e industrial, em que o domínio da tecnologia e o conhecimento especializado são os valores almejados (ABREU, 2005: 103).

            Seguindo Caio Navarro de Toledo, podemos entender a trajetória do ISEB como dividida em três fases. A primeira, muito breve, seria um período inicial marcado pelo ecletismo e pelas ideias conflitantes, ilustradas pela presença de intelectuais de espetros políticos e ideológicos os mais variados na composição do Instituto. Essa fase estaria documentada na publicação Introdução aos problemas brasileiros, que compila o material apresentado no primeiro curso conferido pelo ISEB, no 2º semestre de 1955. O segundo momento seria coincidente com o período do governo de Juscelino Kubitschek (1956-1960), quando o nacionalismo desenvolvimentista impor-se-ia como ideologia hegemônica. Pode-se dizer que este foi o período “clássico” do ISEB, o que mais recebe atenção dos seus estudiosos, e também o mais produtivo, quando se editou uma quantidade significativa de obras dos professores da instituição. A terceira fase coincidiria com uma radicalização à esquerda do pensamento isebiano, quando o Instituto passa a integrar o movimento pelas reformas de base. Durante o governo de Janio Quadros (1961), o ISEB perdeu uma quantidade importante de recursos, dado que muitos de seus intelectuais tinham se comprometido com a campanha presidencial de Henrique Teixeira Lott e o quantitativo de edições de obras isebianas reduz-se bruscamente. Muitos de seus intelectuais fundadores deixam o ISEB e “a orientação teórica e política da instituição passa-se para outras mãos”: jovens professores e líderes do movimento estudantil. As posições do instituto passam são cada vez mais para a esquerda, principalmente durante o governo de João Goulart (1961-1964) (TOLEDO, 1977: 186-190, passim).

Ideias-chave do ISEB “clássico”

            Para começar, é interessante destacar a análise da estrutura brasileira realizada pelos isebianos, pois desta perspectiva deriva-se sua interpretação da “crise” brasileira, da necessidade do desenvolvimento capitalista industrial e suas conclusões filosóficas. Segundo Candido Mendes, a leitura isebiana da realidade do Brasil era a seguinte: 1) existiria uma “pré-burguesia mercantil”, baseada na inserção especializada do país no comércio internacional – ou seja, os chefes do setor agroexportador de produtos primários; 2) haveria as “pré-classes médias parasitárias”, ligadas à burocracia remanescente da República Velha e ao setor mercantil “pré-burguês”; e 3) por fim, a presença de uma “massa de trabalho não especializada por definição”, que teria uma condição “nômade” no processo produtivo. Contra tal condição, os setores mobilizados seriam “um começo de burguesia industrial”, as “classes médias” articuladas à indústria e “um começo de proletariado”. Isto implicava na formação de “frentes comuns”, “que se apartariam definitivamente das relações de classe tal como definidas pelo marxismo tradicional”. Para tal, era convocado o nacionalismo, a necessidade do planejamento e da inserção do Estado no “levantamento da infraestrutura” e no “provimento geral à educação no país” (ALMEIDA, 2005: 16-17).

            A questão de qual grupo ou classe social deveria ser hegemônica dentro do arco de aliança de classes desenvolvimentista não era consensual. Tal questão opunha, por exemplo, Helio Jaguaribe e Álvaro Vieira Pinto. Para o primeiro, a “burguesia nacional” deveria conduzir o processo (JAGUARIBE, 2005), enquanto que, para o segundo, a “ideologia do desenvolvimento nacional” deveria emanar das massas populares (PINTO, 1959). No entanto, o fato é que no “primeiro ISEB” não se punha em dúvida a necessidade da aliança de classes.

            A visualização dessa estrutura de classes brasileira estava baseada na leitura isebiana da condição “colonial” brasileira, que vivenciaria um processo de superação inicial desde a Revolução de 1930. Ele vinha ocorrendo a partir de “brechas” de desenvolvimento abertas na “estrutura-tipo” colonial, o que teria lançado o Brasil em uma situação de transição – a qual deveria ser guiada de modo racional e planejado até que o país alcançasse o status de nação desenvolvida. Essa situação de transição entre a estrutura colonial e a condição de país de desenvolvimento capitalista avançado era qualificada pelos isebianos como “subdesenvolvimento” – e é para a superação deste que se localizam as classes sociais e a necessidade de suas alianças. O esquema de Candido Mendes, referido acima, pode ser resumido na perspectiva da existência de dois polos na sociedade brasileira: 1) os “estáticos e parasitários”, descendentes e beneficiários da estrutura colonial; e 2) os “dinâmicos e produtivos”, ou seja, as classes sociais ligadas ao desenvolvimento. Outra forma de classificar esse antagonismo é qualificando os últimos como representantes da nação e o polo “atrasado” como “antinação”. Nesse esquema, a contradição não se dava entre classes sociais, mas sim entre os elementos modernos e atrasados existentes tanto na burguesia quanto nas classes médias e entre os trabalhadores (TOLEDO, 1977: 117-123).

            O setor industrial era considerado estratégico para o desenvolvimento e, assim sendo, a intervenção estatal era condição essencial para assegurar a defesa da jovem indústria nacional, garantindo uma reserva de mercado interno contra a concorrência estrangeira. Deste modo, o desenvolvimento ocorreria mediante a “substituição de importações” de mercadorias estrangeiras por outras produzidas pela indústria nativa. Ao mesmo tempo, o Estado deveria planejar a industrialização e criar as condições econômicas para o investimento privado, liderando também o combate aos possíveis efeitos colaterais da “industrialização periférica”, como o desemprego estrutural e a deterioração dos termos de troca[3] – que tornava as mercadorias produzidas no Brasil sempre desvalorizadas frente as das nações industrializadas. Os técnicos do Estado, aliados aos empresários industriais brasileiros, deveriam transferir os “centros de decisão” do exterior “para dentro do país” (BRESSER-PEREIRA, 2005: 210).

            A essa leitura econômica, os intelectuais do ISEB acrescentavam uma interpretação filosófica: quando o Brasil, na sua condição semicolonial, exportava produtos primários e importava produtos industrializados, também importava o “ser” da metrópole, ou seja, o conjunto de “valores” e “condutas” do exterior, “implicados” naquelas mercadorias – em especial, aquelas com desdobramentos comportamentais, como o Cadilac, o chiclete, a Coca-cola, os filmes, etc. (TOLEDO, 2005: 86). Essas conclusões filosóficas relacionavam-se a um dos conceitos mais fundamentais do pensamento isebiano, alienação, cuja origem seria a filosofia existencialista, seja na sua vertente alemã, representada sobretudo por Heidegger e Jaspers, seja na sua vertente francesa, com Sartre, Beauvoir e Merleau-Ponty – além desses, destaca-se também a influência do espanhol Ortega y Gasset (ALMEIDA, 2005: 18-19).

            A principal preocupação filosófica isebiana absorvida do existencialismo seria com a questão da consciência, que os intelectuais do ISEB retrabalharam de maneira peculiar. O conceito de “consciência”, de um ponto de vista existencialista, representava o resgate de “nossas naturezas mais primitivas, ‘puras’ e isentas de influências externas”, sendo aplicado sobretudo ao indivíduo. Entretanto, “no ideário isebiano, ele passa a ser aplicável à análise dos problemas do Brasil, suas influências históricas, seus desafios diante das transformações de um processo em plena industrialização” (OLIVEIRA, 2006b: 6). No contexto de transição por qual passava o país, tratava-se da “apropriação” de sua “circunstância”, ou do seu “novo modo de ser”, por parte do povo brasileiro. Em termos de Guerreiro Ramos, isto implicava na superação da “consciência ingênua”, que é “puro objeto de determinações exteriores”, por uma “consciência crítica”, a qual “reflete sobre tais determinantes e atua sobre eles como sujeito” (OLIVEIRA, 2006a: 137-138).

            A função dos intelectuais seria a de impulsionar o processo de superação da “consciência ingênua” e da “alienação”, que seria característica de uma cultura colonial. Como a referência do colonizado é o “outro”, isto é, o colonizador, sua consciência de si é “inautêntica”, no sentido de que não se pensa com categorias próprias, mas com formas de pensamento importadas da “metrópole”. Assim sendo, a característica cultural (a intelectual, inclusive) de uma sociedade colonial – e mesmo a de uma sociedade “subdesenvolvida”, de transição entre a colonial e a industrializada – seria a “transplantação”, a “mimetização” e a “dependência” em face do que é produzido pelos países desenvolvidos. A condição de “transição de fase” vivenciada pelo país subdesenvolvido permitiria a criação de um processo de superação da consciência alienada, desde que fosse realizado o desenvolvimento nacional, articulado com a “ideologia” adequada a ele. Para tal, era necessária a simultânea formação de uma autêntica “cultura nacional” e mesmo de uma “filosofia nacional”. A questão central era o país aprender a se pensar de maneira autônoma, sem recorrer a formas de intelectuais “estrangeiras”, a se reconhecer como o “sujeito” do seu próprio destino (OLIVEIRA, 2006a, Capítulo 5; TOLEDO, 1977, Parte II, Capítulo 1).[4]

            O nacionalismo do ISEB também estava relacionado à sua interpretação da filosofia existencialista, aliada ao seu entendimento da necessidade “existencial” do desenvolvimento brasileiro para a superação da situação semicolonial. Além disso, o nacionalismo isebiano também seria decorrente de sua interpretação acerca da realidade brasileira: o subdesenvolvimento era interpretado sobretudo como “exploração dos países desenvolvidos”, realizada principalmente através da “troca desigual”. Mediante esta, “os países ricos conservam para si os ganhos de produtividade”, garantindo “que o valor adicionado do trabalho em seus países não se reparta com os consumidores dos produtos industriais nos países em desenvolvimento” (BRESSER-PEREIRA, 2005: 212). Por isso, o nacionalismo era correlato ao desenvolvimentismo, uma vez que a superação da condição de país subdesenvolvido somente era realizável com o advento de um Estado nacional autônomo, que transferisse para dentro o controle da economia. Apenas com uma “política nacionalista” isto se tornaria possível, o que significava que o desenvolvimento tinha que ser sinônimo de “soberania e independência econômica” – embora os isebianos discordassem a respeito do emprego ou não de capitais estrangeiros na industrialização do Brasil (ABREU, 2007: 421).

            Com exceção de Nelson Werneck Sodré, os demais isebianos da “fase nacional-desenvolvimentista” acreditavam na necessidade de se forjar previamente uma ideologia para a promoção e incentivo do desenvolvimento nacional. As modificações estruturais promovidas pelo início da industrialização brasileira poderiam representar um processo de superação da situação colonial, mas não atingiriam espontaneamente um estágio superior de desenvolvimento. Quando muito, a industrialização poderia gerar crescimento econômico, o qual, não sendo “consciente”, “integrado”, “harmonioso” e “planejado”, seria meramente “quantitativo”, sem beneficiar o conjunto da nação. Caso isto ocorresse, poderia haver um retrocesso às condições da estrutura colonial. Esse era mais um dos motivos da necessidade da ideologia do desenvolvimento nacional, a qual, por esta razão, não era considerada pelos isebianos nem “idealista” nem “arbitrária”, mas “adequada” as “condições objetivas” do país, ou seja, seria uma ideologia “autêntica” (TOLEDO, 1977: 34-39, passim).

            Dentre os isebianos que defendiam a necessidade da ideologia, dividiam-se basicamente dois grupos: aqueles que relacionavam a autenticidade da ideologia à “fase” ou “estrutura faseológica” vivida pela nação ou pela “comunidade” (Jaguaribe, Corbisier, Guerreiro Ramos e Candido Mendes) – noção extraída da “sociologia do conhecimento” alemã, em especial de Karl Mannheim[5] – e a perspectiva de Álvaro Vieira Pinto, para quem a ideologia autêntica necessariamente deveria ser extraída das massas trabalhadoras, que seria o grupo social a quem a exigência do desenvolvimento seria mais premente – não necessitando ser imposto a elas, mas sendo delas procedente. Do primeiro grupo, Helio Jaguaribe foi o autor que mais aprofundou a questão da relação entre “ideologia autêntica” e adequação à “estrutura faseológica”. Para ele, a ideologia do desenvolvimento nacional não emanava de uma classe específica, mas era autêntica por ser “representativa” dos “interesses situacionais” dos setores progressistas da burguesia, das classes médias e do proletariado, interesses esses manifestos na “necessidade objetiva” da “expansão” das “forças materiais de produção” do país – aqui estariam, por suposto, excluídos os grupos sociais vinculados à situação colonial (Ibidem: 34-39, passim).

Algumas ideias do “último ISEB”

            O final do governo Juscelino Kubitschek foi permeado por crises, que afetaram o próprio ISEB. Dessas crises destaca-se, primeiramente, uma crise econômica, representada pelo esgotamento da estratégia de desenvolvimento do governo, que estava redundando em desaceleração do crescimento com aumento de inflação. Elevaram-se os desentendimentos entre o Brasil e o Fundo Monetário Internacional acerca da negociação da dívida externa do país e da recepção de novos empréstimos, o que permitiu à direita undenista, comandada por Carlos Lacerda, iniciar uma ofensiva ideológica, acabando por eleger seu candidato Janio Quadros nas eleições de 1960. A crise econômica e a derrota eleitoral da frente nacionalista rebateram na perda de confiança na estratégia econômica desenvolvimentista, o que, por suposto, abalou também o pensamento do ISEB – já em processo de ebulição por conta das saídas intempestivas de isebianos, desde 1959 (JAGUARIBE, 1988).

            Contudo, a forma como a crise do nacionalismo desenvolvimentista rebateu no ISEB não foi pela adesão de seus intelectuais à influência da ortodoxia liberal adotada pelo governo Quadros. Tampouco os isebianos acompanharam os “ajustes” vividos pelo pensamento econômico da CEPAL, que reconhecia “falhas” e “distorções” no processo de industrialização latino-americano, abandonando a hipótese de que “a mera diversificação industrial promoveria o fim da condição periférica” (COLISTETE, 2001: 25). Ao contrário, o ISEB foi se radicalizando para a esquerda por conta de sua crescente aproximação com os movimentos sociais populares, tanto o sindical, quanto o camponês e o estudantil, realizando um balanço crítico do nacional-desenvolvimentismo do governo Kubitschek:

Reconhecia-se que, no quinquênio juscelinista, o país tinha alcançado significativo crescimento econômico, mas o desenvolvimento industrial verificado não fez senão acentuar a dependência do país à política econômica imperialista; de outro lado, o crescimento econômico pouco contribuiu para atenuar as graves desigualdades sociais e regionais existentes na sociedade brasileira (TOLEDO, 2005: 156).

            Segundo Joel Rufino dos Santos – que ingressou no Instituto, em 1963, como “assistente da cadeira de História Social do Brasil”, a convite de Nelson Werneck Sodré, que era seu titular –, “o conteúdo do último ISEB foi sua interação com o movimento de massas”. (SANTOS, 2005: 44, grifos meus). Nestes anos finais de existência do ISEB, os quadros do Instituto tiveram de ser preenchidos com jovens professores, algumas vezes recém-formados, seus recursos eram escassos e o ISEB publicou apenas um livro, Introdução ao estudo das contradições sociais no Brasil, de Wanderley Guilherme dos Santos,[6] abertamente crítico ao nacionalismo desenvolvimentista. No entanto, neste período foi notável a quantidade de “Cursos Extraordinários” conferidos pelo ISEB a entidades da luta popular. Além disso, os isebianos colaboraram em outras publicações, cujos objetivos não eram mais influenciar intelectuais e governantes para direcionar os rumos do desenvolvimento nacional, mas sim trabalhadores e lutadores populares para fortalecer a batalha pelas reformas de base no Brasil: a coleção Cadernos do povo brasileiro, publicados pela Civilização Brasileira, de Ênio Silveira, em direção conjunta com Álvaro Vieira Pinto, à época Diretor do Instituto (TOLEDO, 1977: 190; MIGLIOLI, 2005: 71; PEREIRA, 2005: 132; SODRÉ. 2005: 80).

            O ISEB também colaborou na produção da coleção História nova, publicada pelo MEC, que intentava renovar a visão da história brasileira entre os estudantes de nível médio. Quem escreveu a coleção foi Nelson Werneck Sodré, juntamente com os jovens historiadores formados pela Faculdade Nacional de Filosofia que ele convidara para integrar o Departamento de História do Instituto, e sua viabilidade deveu-se ao trabalho de Roberto Pontual, outro jovem, que dirigia a Campanha de Assistência ao Estudante (CASES), do Ministério da Educação e Cultura (SANTOS, 2005: 48-49).

            Em Quem é o povo no Brasil?, da coleção Cadernos do povo brasileiro,Nelson Werneck Sodré procura distinguir-se, primeiramente, daqueles que procuram restringir o conceito de “povo” apenas aos trabalhadores produtivos de bens materiais, incluindo também os “empregados” e “funcionários” não produtivos, além dos intelectuais. Além disso, “povo” seria uma categoria histórica variante, uma vez que comporta classes sociais novas e, no passado, incluía outras que deixaram de existir. Além disso, há exemplos de categorias ou classes sociais que faziam parte das massas populares e, no presente, já não fazem mais. Contudo, em qualquer tempo e em qualquer espaço, o “povo” teria sempre um traço comum: “povo é o conjunto das classes, camadas e grupos sociais empenhados na solução objetiva das tarefas do desenvolvimento progressista e revolucionário na área em que vive” (SODRÉ, 2008: 10).

            A partir desta definição de povo, Sodré olha para a realidade brasileira e sua conclusão não é muito distinta, em termos da aliança de classes, daquela defendida pelo “ISEB nacional-desenvolvimentista”. As “tarefas progressistas e revolucionárias” do momento representavam a libertação do latifúndio e do imperialismo, que impediam uma efetiva democracia e o “livre desenvolvimento das forças produtivas no país”, visando o estabelecimento de “novas relações de produção, compatíveis com o interesse do povo brasileiro”. Tais eram algumas das novas relações a serem estabelecidas: nacionalização das “empresas monopolistas estrangeiras”, integração do “latifúndio na economia de mercado, ampliando as relações capitalistas”, uma ampla reforma agrária que distribua “propriedade privada” aos camponeses, lhes permitindo condições de produzir e comercializar o que produzem etc. (Ibidem: 30-31). Com isso, Sodré apresenta sua caracterização da aliança de classes sociais que comporiam o “povo” no Brasil:

Parte da alta, média e pequena burguesia, a parte de cada uma desligada de associação, compromisso ou subordinação ao imperialismo; o proletariado; o semiproletariado e o campesinato, com participação ativa na medida da consciência política que apresentem os seus componentes. Povo, no Brasil, hoje, assim, é o conjunto que compreende o campesinato, o semiproletariado, o proletariado; a pequena burguesia e as partes da alta e da média burguesia que têm seus interesses confundidos com o interesse nacional e lutam por este (Ibidem: 31).

            Percebe-se à partida que essa interpretação de Sodré acerca da aliança nacional “progressista” que comporia o “povo” no Brasil é coerente com o pensamento do “primeiro ISEB”. No entanto, essas ideias não mais representavam o conjunto do pensamento isebiano dos anos iniciais da década de 1960. No seu profético livro intitulado Quem dará o golpe no Brasil?, que também compunha a coleção Cadernos do povo brasileiro, Wanderley Guilherme dos Santos enxerga uma sociedade brasileira polarizada entre uma minoria privilegiada de exploradores e dominantes – que estavam preparando um golpe de Estado e a instauração de uma ditadura no Brasil (o livro é de 1962...) – e a maioria explorada da população, que representava o “povo”. Santos considerava que a democracia então existente não passava de uma ditadura econômica e política, não muito diferente da que supostamente viria a se instaurar depois do golpe – seria uma mudança na forma do domínio, não no seu contudo essencial. De todo modo, o autor reconhecia que o golpe necessariamente seria contra o povo, uma vez que visava quebrar a organização crescente do movimento popular e impedir que obtivessem vitórias, que representariam redução nos privilégios da minoria. Dessa forma, enxerga o governo existente, embora não se refira diretamente a João Goulart – que, aliás, estava com poderes reduzidos pelo parlamentarismo – como uma mera modalidade distinta de exercício do poder da minoria sobre o povo, conclamando este a aliar-se à sua “vanguarda” para derrotar o golpe de direita em curso.

            A diferença que existe entre a ditadura atual e a que se quer implantar é uma diferença de grau, como a que existe entre um irmão e um primo, e não como a que existe entre um homem e uma mulher, sejam primos ou sejam irmãos. É absolutamente indispensável que o povo compreenda isto: em sua luta contra a ditadura que as forças reacionárias desejam implantar, não pode confiar demasiadamente na ditadura em vigor, pois essa ditadura que aí está, essa ditadura sob a qual vive o povo, demonstra ser incapaz de levar até o fim a luta contra a outra, contra a que se está armando. Só o povo, guiado por seus setores mais avançados – os trabalhadores, os camponeses e os estudantes – é capaz de combater até as últimas consequências a ameaça de golpe, porque o golpe, como se indicou, acaba sendo sempre contra as forças populares, e jamais inteiramente contra a minoria dominante (SANTOS, 1962: 10-11).

            Assim sendo, o “povo” de Wanderley Guilherme é muito mais reduzido do que o de Nelson Sodré, e mesmo o governo João Goulart, tido em boa estima por amplos setores do movimento popular, é identificado como uma ditadura não muito diferente de uma eventual ditadura de direita.

Considerações finais

            Provavelmente seria sobre aquele tipo de pensamento de Wanderley Guilherme dos Santos que Nelson Sodré referia-se ao afirmar, anos mais tarde, que o último ISEB padeceu do mal do “sectarismo de esquerda”. Tal opinião, embora expressa de um ponto de vista razoavelmente distinto, também era a dos ex-isebianos Helio Jaguaribe – que acusava o Instituto de ser, depois da sua saída em 1959, uma linha auxiliar da política do Partido Comunista – e Guerreiro Ramos, que qualificou o ISEB dos anos 60 de agência eleitoreira e de “escola” de marxismo-leninismo (SANTOS, 2005: 46; JAGUARIBE, 1988: 11; TOLEDO, 1977: 188-189).

            Jorge Miglioli reconhece que, não somente os jovens professores que ingressaram no ISEB, no começo dos anos de 1960, eram de esquerda, influenciando o Instituto nesta direção, como também que alguns deles eram efetivamente militantes do PCB. Mas, aproximar-se da posição dos comunistas implicava numa “prova” da “radicalização” do Instituto? A posição do Partido não era muito distante sequer daquela do “primeiro ISEB”, ou seja, a defesa da aliança entre burguesia nacional e trabalhadores em prol do desenvolvimento nacional, realizado nas condições da normalidade democrática – que o PCB procurava inclusive alargar, quando defendia sua própria legalidade. Além do mais, ao se empenhar na defesa da legalidade do governo de João Goulart, pressionando-o para por em prática as reformas de base, os “últimos” isebianos aproximaram-se de outras forças de esquerda, como os brizolistas e os católicos progressistas. (MIGLIOLI, 2005: 73-75; SILVA e SANTANA, 2007: 121-129, passim).

            Embora, em comparação com a primeira fase do Instituto, o último ISEB tenha reduzido sua produção editorial, seus cursos regulares, projetos de pesquisa etc., tampouco ele deixou de “atuar em várias e significativas frentes do debate intelectual” (TOLEDO, 2005: 160). Portanto, em conclusão, e concordando com Toledo:

[...] importa ressaltar que houve – além das evidentes diferenças entre os autores e as distintas fases do Instituto – uma continuidade político-ideológica entre o “primeiro” e o “último ISEB”. Assim, seja em sua “fase teorizante”, seja em sua “fase militante”, o ISEB desempenhou um papel relevante na vida política e cultural do Brasil (Ibidem: 162).

 

BIBLIOGRAFIA:

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Rodrigo Lima Ribeiro Gomes / Doutorando – Educação/UFF / Bolsista da CAPES / Contato: rlimarg@yahoo.com.br
Os intelectuais mais ativos no ISEB eram Helio Jaguaribe, Álvaro Vieira Pinto, Alberto Guerreiro Ramos, Cândido Mendes de Almeida, Roland Corbisier e Nelson Werneck Sodré.

“O ritmo de incorporação do progresso técnico e o aumento de produtividade seriam significativamente maiores nas economias industriais (centro) do que nas economias especializadas em produtos primários (periferia), o que levaria por si só a uma diferenciação secular da renda favorável às primeiras. Além disso, os preços de exportação dos produtos primários tenderiam a apresentar uma evolução desfavorável frente à dos bens manufaturados produzidos pelos países industrializados. Como resultado, haveria uma tendência à deterioração dos termos de troca que afetaria negativamente os países latino-americanos através da transferência dos ganhos de produtividade no setor primário-exportador para os países industrializados” (COLISTETE, 2001, p. 23). Os isebianos compartilhavam da desconfiança cepalina em relação à possibilidade de o setor primário exportador possibilitar “inovações técnicas, aumento de valor agregado, difusão tecnológica, efeitos dinâmicos sobre a indústria e elevação no nível de renda da economia como um todo”. Ibidem, p. 25.

De acordo com Toledo, o único intelectual isebiano que não “flertou” com a filosofia existencialista foi Nelson Werneck Sodré. O interessante era que os pensadores do Instituto recorriam amplamente a filósofos e sociólogos europeus com o intuito de forjar um pensamento brasileiro “autêntico”.

Uma pequena determinação da “sociologia do conhecimento”: “A relativização do pensamento foi aprofundada com a descoberta de que os condicionantes sociais do próprio pensar permanecem ligados aos interesses particulares dos grupos no campo da disputa simbólica. Em outras palavras, grupos distintos expressam a realidade de maneira distinta e, por consequência, a hegemonia de um modo de pensar é também a sobreposição da visão de mundo de um grupo sobre o outro”. Deffacci, 2012: 153. Se substituirmos a palavra “grupo” por “nação”, temos um exemplo ilustrativo de uma das formas como o pensamento isebiano apropriou-se da sociologia de Karl Manheim.

Guilherme dos Santos fora um dos jovens recém-graduados a ser convidado para integrar o ISEB, por Álvaro Vieira Pinto, que fora seu professor na Faculdade Nacional de Filosofia (FNFi). Além de Wanderley, o filósofo isebiano também convidou outros estudantes, dentre os quais Jorge Miglioli e Helga Hoffmann, que escreveram Como são feitas as greves no Brasil? e Como planejar nosso desenvolvimento?, respectivamente – ambos publicados na coleção Cadernos do povo brasileiro.

 
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Edição de Nº 2 (2013)
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